segunda-feira, 18 de setembro de 2017

UM NATAL MUITO LOUCO (CONTOS LOUCOS)




Era véspera de Natal, e todos os pobres da cidade de Caramona estavam gastando o que tinham e o que não tinham com os preparativos. Vovó estava organizando a festa em sua casa, apesar da idade avançada, ela ainda sabia o que era natal. Enquanto isso, no meio da floresta, Chapeuzinho Amarelo, ou simplesmente Flora, desfilava com uma cestinha, seminua, mostrando todo seu charme e encanto para os animais. Ela estava indo para a casa da vovó, de repente, um lobo apareceu: 

-O que uma garotinha com cara de travessa, baixinha e aparentemente anêmica faz sozinha nessa floresta tão perigosa?

    -Estou indo para a casa vovó.

O Lobo então tentou comer a menina, mas na hora, por um milagre, parou ali perto uma carruagem e uma voz não muito agradável disse:

-Venha amarela, levarei você para a casa da rabugenta da sua avó!

Chapeuzinho foi ao encontro da mulher, e viu Matilde, a madrasta de Cinderela, e suas duas filhas, uma mais feia do que a outra, Antônia e Antonieta. A menina entrou na carruagem e perguntou à madrasta:

   - Dona Madrasta má, porque a Cinderela não veio também?

Matilde deu uma risada e respondeu:

   -  Porque ela só poderá ir à festa após lavar as roupas, lavar a louça, varrer a casa, limpar o chão, limpar os móveis, banhar os animais, dar comida às vacas, fazer as compras do mês, regar as árvores da floresta, digitar meus trabalhos, e claro, arrumar um vestido decente, pois aquela imunda só veste trapos.
Elas então continuaram a viagem. 
Enquanto isso, Paulina, conhecida por Cinderela, estava em casa, aos prantos:

  - Que triste sina, ficar presa nessa casa, igual uma escrava, enquanto aquelas ridículas estão se divertindo na casa da vovó!

Neste momento, surgiu do nada uma fada que disse:

   -Não fique assim, sou sua fada-madrinha e vim ajuda-la a virar gente, pois neste     exato momento você parece um fóssil humano!

    Cinderela enxugou as lágrimas no vestido da fada e até se assoou, e disse:

- Eba, então para de falar asneira e me transforma em princesa!

A fada então disse suas palavras mágicas:

- Salacatuba, mexicatuba, tili, tilapt, puff!

De repente, Cinderela se tornou gente.

Enquanto isso, no meio da floresta, Diana, conhecida como Cachinhos desfeitos passeava pela floresta, quando viu uma casinha cafona, e resolveu invadi-la:

- Ah, já que não tem ninguém vou ver o que tem aqui pra roubar!

Ela então viu uma mesa, com três bacias de mingau de goma com açúcar. Curiosa e esfomeada, tomou um pouco do mingau da bacia maior, mas este estava muito quente:

-  Credo, esse mingau deve ter vindo do inferno!

Logo em seguida ela tomou um pouco do mingau da bacia do meio e:

- Ui, esse mingau está mais pra sorvete, de tão congelado que está!

Depois tomou um pouco do mingau da bacia menor e adorou, motivo pelo qual tomou todinho.

Depois de comer a refeição alheia, ela sentiu sono e foi procurar um quarto. Ao entrar, viu duas camas e uma rede, e a intrusa resolveu deitar na cama maior e disse: 

-Cruzes, que cama dura e larga!

Depois ela foi para a outra cama e disse:

-Essa cama é igual areia movediça, suga a gente pra dentro dela!

Depois ela correu para a rede e caiu em cima de Jasmine, a Bela Desfalecida, e esta, metida a valente, deu um soco na Cachinhos, e a jogou pela janela. Neste exato momento, os três camponeses chegaram em casa. Floreza era doce, meiga, gentil, bobinha, não tinha vergonha na cara, enfim, era do jeito que deu para imaginar. Pimpão era um homem forte e muito gordo. Ele tinha uma voz muito grave, tinha um jeito meio bruto, era arrogante e mal-humorado. E o filhinho era um palerma, o empregado da mãe, o saco de pancadas do pai. Era cheio de hematomas, de tanto apanhar. Ao entrarem na casa, perceberam que alguém esteve lá. Quando os três resolveram tomar o mingau, Pimpão disse:

- Alguém tomou um pouco do meu mingau!

Floreza disse:

- Alguém cuspiu no meu mingau!

Marcolino também disse

- Tomaram todo o meu mingau!

Os três foram para o quarto e, ao entrar, Papai gritou e disse:

- Quem foi a delinquente que deitou na minha cama?

Mamãe deu um berro e disse:

- Deitaram na minha cama e até urinaram nela!

A criança ao olhar para a rede, disse:

-Tem uma marginal na minha rede, liguem para a polícia, pro exército, pro FBI, socorro!

Depressa Jasmine, a Bela Desfalecida, acordou, e ao ver toda aquela gente olhando para ela, falou:

- Ô Povo feio! - E saiu correndo, aos tombos de sono.

Finalmente anoiteceu, e na casa da vovó a safadeza rolava solta. Ela era a pior de todas. Porém, estava arrumando a árvore de natal, enfeitando-a com bolinhas, meia, sino, dinamites, granadas etc.

Chapeuzinho Amarelo se divertia com Cinderela, que estava namorando o príncipe Demétrio. Matilde, a madrasta má de Cinderela, tentava beijar o Lobo-mau, que a evitava, pois queria na verdade uma de suas filhas. Cachinhos desfeitos, enrolada em esparadrapos, estava batendo papo com a barraqueira e a fera. A Bela Desfalecida paquerava com qualquer um. Dayanzel mostrava suas longas tranças. Neve de Branca batia papo com os anõezinhos.

Então começou o amigo oculto dos retirantes. Quem deu início foi a Vovó, e o porquê todos sabem: Primeiro os idosos:

- Meu amigo secreto gosta de andar pela floresta e invadir a casa alheia!

Todos apontaram para Cachinhos desfeitos.

Neste momento, Papai Noel passou e soltou pela chaminé um saco. Todos ficaram curiosos, então a Fera se dispôs a pegar o saco. Quando ele abriu, todos se assustaram ao ver Chismônia, a décima terceira fada, soltando fumaça pelo nariz de tata raiva por não ter sido convidada para a festa e por ter sido vítima de indiretas da Dayanzel pelo Facebook. Ela então disse:

- Malditos! Se me amam, juntem-se a mim. Se me odeiam, entrem na fila porque está maior do que a fila dos correios! Não vou lançar feitiço, pra quê desgraça maior do que a cara de vocês?

Vovó então disse:

-Chismônia, deixa de ser tola e vem curtir a festa conosco!

A malvada então sorriu e foi comer uns docinhos.

Após o alvoroço, o amigo oculto já ia recomeçar quando a campainha tocou. Um dos anõezinhos abriu a porta e abruptamente entrou de uma vez Dona Filomena, mãe de Romílho, aos tombos de bêbada, chamando pelo filho:

-Romilho cadê você? Já vendeu a minha vaca como ordenei?

Romilho, acanhado, balançou a cabeça que sim e ela disse:

-Pois me dá a grana porque preciso urgente comprar uma vodca!

Romilho abriu a mão, entregou três caroços de milho e disse:

- Mainha, Troquei a vaca por esses milhos mágicos!

Dona Filomena, segurou-se na parede para não cair, e disse:

- Mas tu é um filho de corno mesmo! Ai que criatura burra. - Ela jogou os milhos mágicos no terreiro de macumba da vovó, e no mesmo instante um enorme pé de milho cresceu ali. Romilho resolveu subir no pé de milho. Quando chegou ao topo, viu São Pedro que disse:

-  Meu filho você subiu demais. Desça mais um pouco porque sua hora ainda não chegou!

O rapaz obedeceu e desceu um pouco mais. Quando avistou um castelo de longe, ele pulou do pé de milho e se direcionou até lá. Era um castelo muito grande, e pelo fato de a porta ser enorme, ele entrou pela fechadura. Andou pela casa, e viu um peru que colocava ovos de ouro e uma harpa que contava piada. Mas ele se interessou apenas no peru, afinal, era natal, e ele já até imaginava: “Vou levar esse peru para o jantar senão terei que comer frango cozido. ”
Quando saiu do castelo levando o peru, e o animal parecia apressado, pois dizia: 
- Logo, logo, logo, logo, logo, logo...
Ele ouviu pisadas fortes, era o gigante. Romilho apressou-se em descer do pé de milho.

Quando desceu, ele entregou o peru para sua mãe, que se apressou em prepara-lo para o jantar. O rapaz então cortou o pé de milho. Neste momento, surgiu ali uma velha senhora que dizia se chamar Carmelita. Ela então parou em frente a casa da vovó e começou a fazer uma espécie de ritual. Todos ouviram a voz da velha, que mais parecia um agouro de rasga-mortalha, e foram ver o que era. Neve de Branca então disse:

- Ei velha miserável, dá pra parar com esse agouro porque estamos comemorando nosso natal, e você está atrapalhando!

Então a velha disse:

- Minha linda e perfeita jovem, deixe-me passar o natal com vocês. Eu sou uma pobre mendiga reumática totalmente sem vida, feia que dói e seca de passar fome. Por favor, faça uma caridade pelo menos uma vez na vida, deixe-me ficar?
A madrasta de Cinderela então falou:-Era só o que faltava, aqui não é o programa Natal Sem Fome. Vá procurar sua gangue e pare de nos atrapalhar! 
Carmelita então mostrou que na verdade não era velha, e sim uma terrível bruxa e transformou Matilde em rã. 
Após toda essa balbúrdia, quase meia noite, o coral começou a cantar. No coral estavam: Chapeuzinho Amarelo, Cinderela, Dayanzel, Cachinhos Desfeitos, A Bela Desfalecida, Neve de Branca e Romilho. 
A música era:
“NESTE ANO, QUERO PIRAR O MEU CORAÇÃO.
QUEM QUISER PIRAR COMIGO, QUE ME DÊ A MÃO. 
O TEMPO PASSA, E AS LOUCURAS VÃO SOMENTE AUMENTANDO SEM PARAR.
NÃO TÔ CONSEGUINDO MAIS ME CONTROLAR. ”



E como todos os contos loucos, mais uma vez, todos viveram felizes para sempre!
FIM

Autor: Francisco Jardson Pires do Nascimento
 Criado em 2011. Editado em 10/08/16.

sábado, 16 de setembro de 2017

ROMÍLHO E O PÉ-DE-MILHO (CONTOS LOUCOS)




Era uma vez um menino chamado Romílho. Ele vivia com a mãe, dona Filomena, uma viúva chata e amargurada, que vivia a infernizá-lo e chamá-lo de: "filho de corno", "pedaço de prejuízo" e "cão do meu ódio."

Ela tinha uma vaquinha, cuja era a fonte de renda da casa, pois dela se tirava o leite, que era vendido, além da produção de queijo, doce, iogurte, qualhada, etc.
Certo dia, a vaca parou de dar leite, e foi espancada pela dona. Quando Filó percebeu que o animal estava quase morto, ela parou de bater e disse ao filho:
-Romílho, esta droga de vaca não quer mais produzir leite. Leve esta vagabunda para a feira e a venda por qualquer preço, mas se livre desta inútil.
No dia seguinte, Romílho levou a vaca, puxando-a por uma corda. A vaca dizia:

-Muuuuuuu...

Mas o rapaz não entendeu a linguagem do animal e disse:

-Cale-se, inútil!

Quando chegou a feira, foi abordado por um ambulante, muito simpático. Ele o ofereceu três caroços de milho dizendo:
-Veja meu jovem, compre esses caroços de milho por um preço bem camarada!

O garoto sorriu e disse:

-Não sou galinha pra gostar de grãos de milho!

-Mocinho, esses são mágicos.

-Sério, o que eles fazem?

-São capazes de produzir espigas de ouro!

Romílho então perguntou o preço e o homem disse, assustando o rapaz pelo alto valor:

-Não posso comprá-los, estão muito caros.

-Meu jovem, fazemos no crediário com juros, no cartão de crédito sem juros e no cheque!

-O que eu tenho é uma vaquinha, nada mais!

O homem analisou a vaca e disse:

-Beleza, troco os caroços de milho por essa vaca. Ela me servirá para o churrasco de domingo.

Então o garoto trocou a vaca pelos caroços de milho e voltou para casa alegre e satisfeito.

Ao chegar em casa, viu a mãe e disse:

-Mainha, fiz um bom negócio!

-Deixa eu adivinhar, trocou a vaca por um carro?

-Não!

-Trocou a vaca por uma casa?

-Não!

-Vendeu ela por um milhão de reais?

-Quase. Troquei ela por três caroços de milho mágicos!

Furiosa, a mulher pegou os caroços de milho, pisou, cuspiu e jogou no quintal. Enquanto ao garoto, este levou várias bofetadas e ficou de castigo.
A mulher, desesperada, chorou e disse:

-Cão do meu ódio, trocou nosso único bem por três porcarias de grãos de milho. E agora, o que farei? Nem uma canjica não dá pra fazer com aquilo. Morrerei de fome nesse casebre, e quando me encontrarem, estarei podre, em decomposição.

Em seu quarto, o garoto estava triste, arrependido pelo que fez e se flagelando. No dia seguinte, Romílho ao acordar, percebeu que alguma coisa impedia o sol de penetrar em seu quarto. Ele então foi até a janela e viu um enorme pé de milho. O garoto, espantado, foi até o quintal e decidiu subir para ver até onde ia a planta. Subiu, subiu, e quando chegou ao topo, ele viu um castelo. Foi até o castelo e na porta havia uma portuguesa, que logo se assustou ao vê-lo e disse:

-Quem és tu, algum assaltante?

-Não, meu nome é Romílho!

-Nossa teus pais te odiavam muito, para dar-te um nome tão feio como este!

-Talvez. Esse castelo é seu?

-Não, é de meu marido. Ele é um gigante malvado, canibal e feiticeiro.

-Que horror! - Disse o garoto.

De repente, o chão começou a tremer, eram as fortes pisadas do gigante, este estava chegando do trabalho. A mulher escondeu o garoto dentro do armário. O gigante ao entrar em casa, falou:

-Sinto cheiro de carne humana!

-É meu aroma amor! - Disse a mulher.

-Mas é cheiro de carne nova, não de carne estragada!

Rapidamente a mulher serviu dez perus assados, oito frangos cozidos, três patos e uma perna de cavalo à bolonhesa. O gigante logo começou a comer e esqueceu o resto do mundo. Após o jantar, ele pegou sua galinha e a apertou, fazendo-a peidar e pôr um ovo de ouro em seguida. Logo após, ordenou que a harpa tocasse uma melodia. A harpa tocou tanto que esbaforida, adormeceu, e junto, o gigante. Romílho saiu do armário, e muito atrevido, capturou a galinha e a harpa, mas esta acordou e começou a gritar:
-Socorro, chamem a polícia, o exército, a Interpol, a Nasa, me ajudem, estão me sequestrando!

A galinha começou a cacarejar e a bater as asas. O gigante então acordou, tentou pegar o garoto, mas Romílho foi esperto e com a ajuda da mulher do gigante, ele fugiu. O gigante trancou a porta e foi dormir.

Romílho desceu do pé de milho e foi contar o que aconteceu à mãe. Ela, não acreditou e perguntou:

- O que você andou fumando por aí criatura?

-Nada mãe, acredite, poderemos ficar muito ricos se eu conseguir trazer a galinha que põe ovos de ouro e a harpa encantada!

Filomena desacreditada na vida, mandou o filho ir se ferrar e foi chorar.

No dia seguinte, Romílho subiu novamente no pé de milho e foi até o castelo. Chegando lá, ele bateu na porta e a mulher do gigante abriu e disse:

-Tu de novo, achas certo correres tanto risco de vida?

O menino não se importou com o que ela disse e a empurrou. Então ele pegou a galinha e a harpa e saiu correndo, de repente, fora do castelo, esbarrou no gigante, que tentou capturá-lo, mas Romílho, muito ágil, conseguiu escapar e desceu do pé  de milho. O garoto então pediu que sua mãe lhe trouxesse uma foice.

A mulher então tomou a iniciativa e cortou a planta, fazendo-a desabar:

-Madeeeeeiraaaa! - Disse Filomena.

Eles logo viram que a mulher do gigante havia caído junto. Romílho disse:

-Você abandonou o gigante?

-Claro, imagina se vou passar o resto de minha vida com aquele repugnante. Feio pra cassete, peludo, não me deixava dormir pois, roncava mais que um porco resfriado e ainda me tratava como escrava. E agora, pobre, tô fora!

Então, Romílho e sua mãe ficaram ricos, graças a galinha que colocava ovos de ouro, e a harpa, que se tornou escrava e era obrigada a tocar melodias em shows pelo país inteiro.

E assim todos viveram felizes para sempre.

Fim
 Autor: Jardson Pires
Versão Original: João e o pé-de-feijão
Criado em 2016